Cara futura esposa,
Caro D’us,
Caro Diogo Oliveira
Planejamento para 2009
O ano de 2009 é em muitos aspectos, a frutificação de muitos planos e projetos de 2008. Pensar em um planejamento pode até parecer as vezes como um engessamento do ano, mas acredito que estará claro aqui a porosidade e a permeabilidade e possibilidades desses planejamentos. Como qualquer planejamento, a vivência e prática cotidiana demandarão arranjos e atitudes que exigirão uma decisão imediata, muitas vezes não coincidindo com o planejado. Nada mais natural. O que me interessará de sobremodo serão os momentos onde, havendo a possibilidade de agir como sempre agi, eu conseguir imprimir planos mais longínquos e profícuos. Vale lembrar que em 2008 planejei alguns projetos que tinham períodos de vigências que não estendiam até o ultimo dia do ano, muito pelo contrário. Haviam desde projetos que, por n fatores iam até o meio do ano, e outros, e aí a novidade, que estendiam por 2 anos. Para mim, foi um exercício muito gostoso pensar em planejamentos bienais, já que há certos caminhos que só poderão ser trilhados com mais tempo. Neste ano, devido a peculiaridades desse meu novo contexto, alguns propósitos requerirão períodos maiores de que dois anos, mas tentarei pensar em termos de no máximo dois anos, para ficar melhor exequível.
Ao completar meus vinte e cinco anos, portanto um quarto de século, percebo mais do que nunca que meus próximos vinte e cinco anos, ou pelo menos meus próximos dez anos, eu posso aplicar todo o conhecimento que aprendi em transformações mais profundas tanto em minha vida pessoal quanto minha vida social e o meu contexto que me cerca. O momento que passo é tão intenso que chega a dar, por um lado, receio do que virá, e por outro, preguiça do tanto de coisas que virá. Mas isso são detalhes que eu também já aprendi a lidar, alás, muito bem. Não somente começou um ano novo, mas, quer eu queira ou não, inicio uma novíssima etapa em minha vida. E esse majestoso mês de janeiro pode selar com chave de ouro dois momentos: o fim de um eon, e o início de outro. Falo desse mês como sendo aquele momento transitório, mas isso pode durar mais, dependendo do período que abarcarmos. Por exemplo, se considerarmos o ano passado, acredito que um mês de transição é até tempo demais. Mas como acredito piamente que em 2008 iniciou-se um profundo processo (logo findou-se outros), tal processo se estende por 2009. No ano passado fecharam-se alguns importantes ciclos de minha vida, que me marcaram profundamente. São eles: o ciclo da vivência em minha primeira família (acontecimento inédito, e bem necessário), que perdurou por 24 anos; o ciclo de vivência no meu antigo bairro, que perdurou por uns 20 anos; o ciclo da vida estudantil ( no sentido de eu me identificar “profissionalmente” enquanto “estudante”) que perdurou por 15 anos; o ciclo da vida universitária, que perdurou por 6 anos; o ciclo de idas e vindas em um certame religioso, que perdurou seus 12 anos, mas que teve seu destaque em um distanciamento em várias crenças religiosas por uns 4 anos; um certo ciculo de amizades, que existira por 4 anos; um ciclo de relacionamentos amorosos com certa postura que perdurou por vários anos até o ultimo profundo relacionamento de 1 ano; um certo posicionamento político e social que perdurou por 3 anos e que se esgotou, uma certa postura e conduta da vida que foi encontrando sua insuficiência ao longo dos últimos anos e que se mostrou no ultimo ano como empobrecida e carente de novas possibilidades; um ciclo de incertezas quanto ao futuro profissional, ao se confirmar a aprovação no concurso. Como percebemos facilmente, velhos ciclos interpelam e clamam por novos ciclos. Aliás, muito antes disso, já que velhos ciclos se tornam velhos pelas insurgencias de novos. Pois, não havendo esses novos, o velho não se torna velho, mas permanece atual. O atual não é velho tampouco novo, pois só se pode haver o velho havendo o novo.
E como sabemos, não é bom coser remendos novos em panos velhos, tampouco por vinho novo em odres velhos, e que a semente só gerará o novo ao morrer o velho. Nesse sentido, esses novos ciclos, que surgem e que se apresentam, devem encontrar terreno propício para bem germinarem, por um lado, e por outro devem coser um pano novo, uma veste nova, para que não se rompa o ser. E o meu ser já deu sinal que, se não encontradas novas posturas frente aos desafios e possibildiades, ele tem grandes chances de se romper, ou entrar em panes paralisantes cada vez mais agudas e graves. Por isso um perfeito conhecimento do contexto que vivo, e das transformações que se impõe ou que se propõe a mim é necessário. Se enumerei tais ciclos acima, e se reconheço que vários outros ciclos se estão por aí em francos processos de implosão ou expansão, reconheço que quase todos apontam seguramente para a maior realidade que, até então, eu poderia protelar e tentar me refugiar: a realidade adulta, a idade áurea da maturação social; o momento em que se está no ápice da vida em sociedade, onde, dentro nosso contexto; o indivíduo médio “resolve sua vida”. Outros momento fundamentais virão, mas não com tanta intensidade e carga valorativa como agora. Aos 18 anos cruzei uma profunda fronteira, e aos 30 cruzarei outra, mas agora a fronteira que cruzo é da vida adulta. Sou um adulto, finalmente. Para mim, as vezes parece que não, mas agora não tenho como negar. E nem quero. A vontade de encarar tal momento é muito grande, e olho para minha bagagem com orgulho, pois tenho o mínimo para ser um grande homem. Isso é louvável. Tenho meus defeitos e falhas, que me servirão enquanto desafios e provas a serem superadas. Tenho a motivação da criatividade, liberdade, e uma profunda busca pela verdade e o bem. Acredito que nos últimos anos uma parte de mim ansiou sobremodo por uma tomada de postura adulta e madura frente a todos os desafios e tarefas cotidianas. Momentos de crises internas (de longe talvez lembrasse uma depressão, mas não chegaram a tanto. Pareciam mais com exarcebações de protelações e desanimo frente às obrigações adultas, um recrudescimento e um fechamento de espírito.. timidez exagerada que volta e meia vai e vem. Talvez algo do tipo “melancolias salmistas”.. Amigos nessa hora são fundamentais) configuraram enquanto rasgos e tensões dos remendos novos em panos velhos. Renovar votos com amigos, mudar de ares, e montar uma nova agenda de telefones e contatos funciona muito bem como anticorpos.
Para pensar em 2009, é bom pincelar o panorama atual, nesse mês que abre o ano, mês de meu aniversário e mês da virada de ciclos. Fechando-se os ciclos, esboçam-se novos, que não são fáceis de identificar, dado a falta de distanciamento. Mas posso apontar que inicio de cabeça uma nova postura frente à família, já que uma nova se anuncia, sem pudor ou segredo; um cultivo muito mais profundo de uma conduta profissional e responsabilidade pessoal; uma aceitação maior das condições sociais adultas, deixando comportamentos juvenis de lado (onde eles se mostrarem enquanto inócuos); uma responsabilidade maior com a própria auto-imagem; um olhar mais sensato e sincero frente à espiritualidade e às organizações religiosas; uma consolidação de um ethos e de uma postura, um “jeito”, que seja ao mesmo tempo consciente, madura, sábia, responsável e livre, espontânea e característica, sem exageros desnecessários tampouco levianismos desajeitados; uma personalidade que sustente decisões, palavras, acordos, compromissos, responsabilidades, lutas; uma predisposição madura para os relacionamentos adultos, entendendo-me como adulto que exige de outros adultos um tratamento adulto; uma conduta de sensibilidade e firmesa para (se) perceber e (se) impor (opiniões ou atitudes) frente a outros (adultos ou não) quando a imagem, direitos, opiniões, posicionamentos, orgulho, valores, ideais, índole, respeito e/ou dignidade forem usurpadas, feridas, atingidas e rechaçadas sem o cuidado que o contexto lhe pedir; uma ousadia para alçar altos vôos, muitos nunca imaginados, em várias áreas, desde o casamento, à aquisição de bens materiais e imateriais; o exercício ( e não mais a “formação” somente) das qualidades de cidadão, pessoa física, pessoa de direito e deveres, homem, adulto, professor; uma profunda ressignificação da espiritualidade, como a renovação da fé e a renovada postura frente às manifestações espirituais, e a influência espiritual na vida cotidiana; a concretização de projetos artísticos-musicais e projetos de grupos ( políticos, de religiosidade, de estudo, de ação comunitária)...
To be continued
diogo oliveira
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